O estudo do Espiritismo nas suas relações com a arte limita-se com os mais vastos problemas do pensamento e da vida. Ele nos mostra a ascensão do ser, na escala das existências e dos mundos, em direção a uma concepção sempre mais ampla e mais precisa das regras da harmonia e da beleza, segundo as quais todas as coisas são estabelecidas no Universo. Nessa ascensão magnífica, a inteligência cresce pouco a pouco; os germes do bem e do belo, nela depositados, se desenvolvem ao mesmo tempo em que a sua compreensão da lei de eterna beleza se amplia.

A alma chega a executar sua melodia pessoal, sobre as mil oitavas do imenso teclado do Universo; ela se penetra da harmonia sublime que sintetiza a ação de viver e a interpreta segundo seu próprio talento, desfruta cada vez mais as felicidades que a posse do belo e do verdadeiro proporciona, felicidades que, desde este mundo, os verdadeiros artistas podem entrever. Assim, o caminho da vida celeste está aberto a todos, e todos podem percorrê-lo, por seus esforços e seus méritos, e conseguir a posse desses bens imperecíveis que a bondade de Deus nos reserva.



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quinta-feira, junho 16

Por uma   vontade sempre firme, por um apelo direto, aspirai, portanto, as irradiações vivificantes, assim podereis vos manter em relação com os feixes fluídicos que emanam do campo divino e que vivificarão, por sua ação, as partes dos vossos seres contaminadas pela ferrugem dos defeitos e dos vícios. É por essas relações, quase constantes, com esses feixes fluídicos, que o ser, em um mundo ou no espaço, conserva aptidões, meios de elevação, intuições que formam o sentido genérico da palavra arte. 

sexta-feira, novembro 20

a solidariedade dos sons e das cores

A solidariedade dos sons e das cores, da qual nos fala o Espírito Massenet, foi entrevista por todos os grandes músicos. 
Um deles disse: “A melodia é para a luz o que a harmonia é para as cores do prisma, isto é, uma mesma coisa sob dois aspectos diferentes: melódico e harmônico.”

Platão diz ainda: “A música é uma lei moral. Ela dá uma alma ao Universo, asas ao pensamento, um impulso à imaginação, um encanto à tristeza, a alegria e a vida a todas as coisas. Ela é a essência da ordem e eleva em direção a tudo o que é bom, justo e belo, de que ela é a forma invisível, porém surpreendente, apaixonada, eterna.”

De passagem, observemos que Massenet é mais melodista que sinfonista.

Para formar a luz branca, é necessário o acorde das cores complementares e esta luz torna-se mais viva e radiosa na mesma proporção em que a melodia resuma e sintetize melhor o acorde das harmonias complementares.

Parece, então, que há uma concordância perfeita entre as concepções dos gênios terrestres e o ensino das entidades do Além, reconhecendo-se que estas nos fornecem detalhes, estimativas ignoradas pelos especialistas do nosso mundo.

As relações que a melodia e a harmonia têm entre si são como as que existem entre o pensamento e o gesto. Também se poderia dizer que, em música, a melodia representa a síntese, e a harmonia, a análise. Portanto, elas penetram uma na outra e não valem senão quanto mais completamente se combinem e se liguem.

 Na Terra, a beleza de uma obra musical resulta ao mesmo tempo da concepção e da execução, mas na vida do Além, o pensamento iniciador e a execução se confundem porque o pensamento comunica às vibrações fluídicas as qualidades que lhe são próprias. A obra é tão mais bela e a impressão que ela produz é tão mais viva quanto mais elevada for a intenção. É isso que dá à prece ardente, ao grito da alma em direção ao seu Criador, propriedades harmônicas.
Quanto mais nos elevamos na escala das relações, mais a unidade aparece em sua sublime grandeza.
A lei das notações musicais rege todas as coisas e seu ritmo embala a vida universal. É uma espécie de geometria radiante e divina. O alfabeto humano, como uma gaguez, é uma de suas formas mais rudimentares. Suas manifestações, porém, tornam-se cada vez mais amplas e importantes em todos os graus da escala harmônica.

O espírito humano não pode se elevar até às supremas alturas da arte cuja fonte está em Deus, mas ele pode, pelo menos, elevar suas aspirações em direção a elas. As concordâncias estéticas se dispõem, em graus, ao infinito; mas acontece apenas se, nas horas de êxtase e de enlevo, o pensamento humano entrevê alguns aspectos da lei universal da harmonia. A regra musical se produz, no espaço, em traços de luz; o pensamento, a expressão do talento divino e os astros em seu curso, ali conformam suas vibrações.

Se o espírito humano, em seus arrebatamentos, se eleva um instante sobre essas alturas, ele recai impotente para descrever suas belezas; as impressões que ele sente só podem ser traduzidas por uma muda adoração. O próprio Espírito Massenet se declara insuficientemente evoluído para se manter nessas esferas superiores.
Uma vez mais, aqui nos encontramos parados pela impossibilidade de exprimir, em uma linguagem humana, idéias sobre-humanas. Ainda que se possa falar, fica-se sempre abaixo da verdade. O infinito das idéias, dos quadros, das imagens são como um desafio dirigido aos recursos limitados do vocabulário terrestre. Efetivamente, como encerrar em palavras, como resumir em palavras todo o esplendor das obras que se desenvolvem nas profundezas dos céus estrelados?




gama de sons

Sobre a Terra, a gama de sons, tal como a concebemos, é apenas uma relação de sensibilidade que nada tem de absoluto. Compreende-se muito bem que existe uma relação entre as ondas sonoras e as ondas luminosas, mas esta relação escapa a muitos observadores e sensitivos, porque as percepções são muito diversas em seus graus de intensidade; sendo as vibrações luminosas incomparavelmente mais rápidas que as vibrações sonoras.
No entanto, para o espírito cujas percepções são muito mais possantes e mais extensas, a relação é mais estreita do que para nós, e a sensação se unifica; temos um exemplo disso na diferença que se estabelece entre as notas baixas, que correspondem às cores mais escuras, e os sons agudos, que correspondem às intensidades mais vivas.
A inteligência, que percebe e resume todos os efeitos e todas as formas da substância eterna, abrange todas as vibrações, e ela mesma vibra sem preocupações com distâncias e ritmos através do infinito.
Também é fácil para nós compreender como, na vida espiritual, os prazeres estéticos são correlativos ao grau de evolução dos seres. Todos nós temos, na Terra, o mesmo órgão auditivo, no entanto que diferença de sensações experimentadas pelos ouvintes de uma sinfonia, segundo seu grau de cultura ou sua elevação psíquica!
As formas e as imagens produzidas pelas vibrações sonoras nos espaços etéreos, das quais nos fala o Espírito Massenet, também nos parecem ser manifestações do pensamento ordenador que concebeu e dirige o Universo. A música celeste poderia representar a própria vibração da alma divina. Eis por que quanto mais o espírito evolui e se depura, mais se torna apto a compreender, a sentir a beleza e a harmonia eterna do mundo.