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Criei esse espaço por gostar imensamente do Livro O Espiritismo na Arte de Léon Denis.

Nesta obra, Léon Denis retrata o que ocorre na espiritualidade, no que se refere à arte,
e como a beleza se manifesta através do artista encarnado na Terra.
A obra foi elaborada com base em uma série de artigos escritos por Léon Denis em 1922,
para a Revue Spirite (revista espírita francesa fundada por Allan Kardec),
na qual tratava da questão do belo na arte (arquitetura, pintura, escultura, música, literatura, etc.).

O Espiritismo vem abrir para a arte novas perspectivas, horizontes sem limites.

A comunicação que ele estabelece entre os mundos visível e invisível,
as indicações fornecidas sobre as condições da vida no Além,
a revelação que ele nos traz das leis de harmonia e de beleza que regem o Universo vêm oferecer aos nossos pensadores,
aos nossos artistas, motivos inesgotáveis de inspiração.


Além dos trechos do livro de Denis, vou estar colocando trabalhos que faço utilizando o programa PhotoScape.
Para compor esses trabalhos, utilizo imagens, trabalhos em png e reflexões de autores diversos. Não são citados seus nomes,
pelo fato de que, nem todo material que encontro em minhas pesquisas através do Google , está especificado a autoria.
Gostaria de poder citá-los porque sem eles, não conseguiria esse trabalho que é meramente criado com o intuito de exercitar a criatividade dentro do que o programa PhotoScape
me oferece ou, dentro do que consigo executar com ele.

Agradeço vossa apreciação.


O estudo do Espiritismo nas suas relações com a arte limita-se com os mais vastos problemas do pensamento e da vida. Ele nos mostra a ascensão do ser, na escala das existências e dos mundos, em direção a uma concepção sempre mais ampla e mais precisa das regras da harmonia e da beleza, segundo as quais todas as coisas são estabelecidas no Universo. Nessa ascensão magnífica, a inteligência cresce pouco a pouco; os germes do bem e do belo, nela depositados, se desenvolvem ao mesmo tempo em que a sua compreensão da lei de eterna beleza se amplia.

A alma chega a executar sua melodia pessoal, sobre as mil oitavas do imenso teclado do Universo; ela se penetra da harmonia sublime que sintetiza a ação de viver e a interpreta segundo seu próprio talento, desfruta cada vez mais as felicidades que a posse do belo e do verdadeiro proporciona, felicidades que, desde este mundo, os verdadeiros artistas podem entrever. Assim, o caminho da vida celeste está aberto a todos, e todos podem percorrê-lo, por seus esforços e seus méritos, e conseguir a posse desses bens imperecíveis que a bondade de Deus nos reserva.

A lei soberana, o supremo objetivo do Universo é, por conseguinte, o belo. Todos os problemas do ser e do destino se resumem em poucas palavras. Cada vida deve ser a consecução, a realização do belo, o cumprimento da lei.

O ser que alcança uma concepção elevada dessa lei, e de suas aplicações, deve ajudar todos aqueles que, abaixo dele, sobem com esforço a escala grandiosa das ascensões.

Por sua vez, os seres inferiores devem trabalhar para assegurar a vida material e, em seguida, tornar possível a liberdade de espírito necessária aos pensadores e aos pesquisadores. Assim, se consolida a imensa solidariedade dos seres, unidos em uma ação comum.

Toda a ascensão da vida em direção aos fastígios eternos, todo o esplendor das leis universais se resumem em três palavras: beleza, sabedoria e amor!


domingo, abril 26

Diferenças entre arquitetura e pintura

(20 de Janeiro de 1922)
“Após vos haver falado da arquitetura no espaço em nossa última conversa, hoje vamos nos ocupar da pintura. Há uma sensível diferença entre o pensamento escrito ou falado e a arquitetura ou a pintura. A arquitetura atinge os sentidos, a pintura atinge mais o espírito que os sentidos.
Na vida comum, a pintura é a reprodução exata, tanto quanto possível, dos quadros que Deus colocou sob nossos olhos, nos mundos que ele criou. Na arquitetura tomam parte tanto a inspiração quanto o talento, assim como o trabalho do ser humano. A pintura procede de outro modo: ela tende a fixar sobre uma superfície qualquer as impressões transmitidas ao cérebro pela receptividade das imagens.
No vosso mundo, a pintura também irá se inspirar em visões anteriores recolhidas pelo artista, seja no espaço, seja em mundos que ele habitou ou visitou. O ser que trabalhou especialmente nessa arte possuirá todos os materiais necessários para reconstituir, em um meio fluídico apropriado, os quadros suscitados pelo seu pensamento. Vossas cores terrestres formam uma paleta muito incompleta, porquanto, além daquelas representadas pela natureza, sois obrigados a criar cores artificiais com a ajuda da vossa química.
No Além o pensamento se concretiza em feixes luminosos, revestindo as cores mais variadas. Portanto, cada pensamento se traduz por um rasto brilhante, mais ou menos colorido, segundo sua orientação.
Entendeis que é muito fácil para um ser que já possua, por sua evolução, um passado artístico, reproduzir no meio fluídico, não somente arcadas arquitetônicas, mas também telas sobre as quais irão se imprimir cenas reconstituindo o que eu chamaria de o sonho em cores.
No próprio espírito do ser, as cores existem em estado latente, visto que elas mesmas são formadas por moléculas diferentemente coloridas. Essas moléculas podem ser comparadas a pequenos pedaços de vidro de variadas cores. O pensamento, atravessando essas moléculas, fará uma projeção que reproduzirá os assuntos que o ocupam. A fotografia em cores pode ser tomada como comparação, pois que, de uma forma bem restrita, ela pode dar uma fraca idéia das colorações fluídicas do espaço.
Vós vedes daqui a diversidade das cenas que podem ser projetadas por seres especialmente organizados. Naturalmente aqueles que trabalharam a pintura são os que projetam os mais belos quadros, porque possuem a harmonia da linha e a ciência do desenho.
A atração dos meios espirituais não é uma palavra vã; a corrente se perpetua e se estende, a evolução prossegue, mesmo no espaço, e numerosos são os espíritos que, voluntariamente, buscam se impregnar de qualidades radiantes dos espíritos mais avançados que eles.

Estes criam, no meio em que vivem, quadros, cenas de um deslumbramento extraordinário, de uma riqueza de colorido incomparável. Como na arquitetura, esses quadros são perecíveis, de acordo com a vontade do ser que os formou, mas existem regiões onde, seja em arquitetura, seja em pintura, cenas e monumentos subsistem após a reencarnação do seu autor. É como um dos limites do espaço separando os mundos etéreos, mundos numerosos onde a vida é puramente espiritual e que são freqüentados apenas por espíritos muito elevados. É lá que os seres vão em missão buscar as altas inspirações, iniciar-se no culto do belo e do bem, impregnando-se de radiações que têm um caráter realmente divino.”